Escrevi esse texto aos dezessete anos. Encontrei-o por acaso nos arquivos.. e através dele pude redescobrir o sabor de reconhecer-se mutante, mutatis mutandis.
Do que as mulheres gostam
Eis que me disponho, numa noite especialmente quente, a desbravar um assunto que a muitos interessa – alguns precisam saber, enquanto outros (na verdade, outras) têm grande interesse que os primeiros saibam.
Falarei delas, falarei de nós. Mulheres. Há duas espécies, quase gramaticais: espécie sujeito, e espécie objeto. Como bem ensinaria, na oportuna ocasião, o ilustre professor Paulo Freire, o ser humano deve escolher ser sujeito de si mesmo, ou se tornará objeto de conceitos prontos, um ser a-histórico, incapaz de questionar o porquê de seu próprio comportamento social.
Pois bem. Analogamente, não devemos nos dar o trabalho de falarmos sobre as mulheres-objeto, a-históricas, escravas das futilidades, vulgaridades, e descuidadas de seu valor cultural, moral e intelectual. Falaremos da espécie digna, guerreira, batalhadora: as mulheres que pensam, que têm corpo e alma; as mulheres-sujeito de seu próprio destino. Elas são muitas, de todas as idades, fôrmas e embalagens, de uma diversidade incabível em minhas humildes linhas – mas todas, mulheres que são, têm gostos universais, quase inerentes ao gênero a que pertencem.
Dizem que as mulheres gostam de falar. Deve ser verdade, regra geral. Mas, também em verdade, vos digo: os homens, por sua vez, calam-se demais. Estudamos no colegial, no estudo da físico-química, “soluções” - concentradas e diluídas. Diria, analogamente, que o dom da fala passa de um meio mais diluído (a ausência de emissão de opinião masculina) para um meio mais concentrado (as informações emitidas pela mulher, inclusive sobre as indevidas omissões masculinas.). Seria, então, uma tentativa de equilíbrio do meio.
Mulheres, meus caros, gostam de ouvir - e ouvir elogios, ponderações, observações cuidadosas, demonstrações de admiração, respeito e amor. Alimentam suas expectativas de confirmações verbais, seja sobre a educação dos filhos, o assunto da empresa ou sobre como ficou bem com o corte de cabelo.
Mulheres gostam de DR - discutir a relação – o que é diferente de brigar, insultar, ou algo do gênero – gostam, pois, de deixar os sentimentos às claras. Não sabem ou não querem saber de adiar resoluções ou esclarecimentos. Gostam de datas – diria mais, de datas recordadas. Aniversário de nascimento, de namoro, de casamento, de noivado, ou de primeiro beijo. São amigas de calendários, de seus calendários pessoais, e apreciam a íntima celebração de pontos estrelados de suas vidas. Gostam que seus ciúmes sejam revidados com demonstrações de certeza das intenções masculinas. Farei como a minha avó - darei um exemplo fútil, mas útil: ao perceber o olhar enciumado de sua amada em direção a uma terceira moça, ele, homem de bom-senso que é, abraça-a, demonstrando e reafirmando publicamente que é ela a eleita de cargo irrevogável, intransferível e insubstituível em seu coração. Simples, não? Foi suficiente um abraço. Nada mais.
Homens, eis um conselho: cuidem de suas mulheres. Mulheres de pura casca, vulgares, vadias, são muitas. De mulheres-objeto, há uma saturação neste mundo. Mas não serão elas suas guardiãs, companheiras, cúmplices, capazes de guerrear com vocês, e por vocês; capazes de cuidar, amar, gerar seus filhos: as primeiras são estéreis de amor até por elas mesmas. O homem que tem o privilégio de ter ao seu lado uma mulher-sujeito, dona de seu destino, capaz de agir, pensar, amar, tem o dever para consigo mesmo de descobrir, a cada dia, do que ela gosta – em suma, o meio de fazê-la, sentido amplo, feliz.